quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Festas de fim de ano, um ritual pelo qual passamos

Nos últimos dias, comentei com alguns amigos acerca desse período de fim de ano que, nas minhas palavras, passei a intitular um verdadeiro ritual.

Tratam-se de práticas que fazemos anualmente, um período aonde buscamos meditar, reconciliar, planejar. Algo que, prima facie, parece tão nobre, elegante, louvável. A propósito, realmente o é!

É um ciclo temporal, de nosso calendário gregoriano, que se finda. Na realidade isto pouco importa, em essência, visto que o tempo não passa em ano em ano, mas a cada momento, enquanto se vive. Não é do dia 31 de dezembro a 1º de janeiro que o tempo progride e sim a cada dia, de minuto em minuto, de pouco em pouco.

Também é época em que se comemora a festa cristã da natividade, isto é, o nascimento de Jesus, o messias. Esta data, para os cristãos, efetivamente, é de sobremodo muito especial, vez que se recorda aquele que veio trazer a boa nova ao mundo, ainda que paire dúvida sobre o dia exato de seu nascimento, o que não vem ao caso, e sendo a segunda maior festa cristã, estando apenas atrás da Páscoa.

Independente de religião, a história de Jesus é ao mesmo tempo intrigante e motivadora tanto que é base para diversas obras e estudos de filosofia, teologia, área empresarial e assim por diante.

É efetivamente um período do ano, portanto, dedicado e oportuno a pensamentos elevados, a se fazer o bem!

Mas faço uma ponderação, uma crítica. Tal ritual deveria ocorrer não somente nessa época específica, mas sempre que tivéssemos necessidade deste reencontro com nós mesmos, com nossas famílias, com nossos objetivos. Os planos não devem ser feitos de ano em ano. Como mencionei, a vida passa (e verdadeiramente corre) a cada instante, não parando no período de fim de ano.

Pensemos nisto, caros leitores e amigos, afinal a cada dia, a cada momento, a cada mês, é possível se reinventar, reconciliar, meditar, planejar, mudar, ser melhor! Cada dia pode ser um recomeço, um início!

Desejo a todos um Natal especial e que, no seio de nossas famílias e amigos, possamos recarregar as baterias para o ano que se inicia! Paz e bem!

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Finalizo deixando um vídeo em que executo a música Frisson de autoria de Sérgio Natureza, gravada inicialmente por Tunai. Que neste período de fim de ano, que este nosso ritual anual, possa nos trazer um verdadeiro frisson em nossas vidas no ano que se inicia!



terça-feira, 11 de agosto de 2015

Dois um ou um dois(21 ou 12)? A ordem dos fatores altera o produto? Reflexão sobre o número ideal de vereadores para Itajaí

Uma das discussões que veio à tona em Itajaí no último mês foi, certamente, a propositura legislativa que pretende reduzir o número de vereadores de 21 para 12. Trata-se de um projeto que altera a Lei Orgânica Municipal que se justifica no argumento de que, em 2011, quando se deliberou o aumento de 12 para 21, pensou-se que a representatividade política seria maior e que não incidiria em mais gastos.

O projeto ainda precisa ser assinado por, pelo menos, 14 edis para iniciar tramitação, mas o assunto merece destaque e discussão por parte dos cidadãos e do próprio poder legislativo local, até porque, a olhos nus, trata-se de algo necessário e relevante no cenário atual.

Pois bem, façamos uma breve retrospectiva no tempo e verificaremos que, à época do aumento do número de cadeiras no legislativo itajaiense, cada vereador, dos 12, possuía 5 assessores parlamentares em seu gabinete. Com o aumento para 21 parlamentares, cada um passou a contar com apenas 3 assessores. Ou seja, de 60 assessores passou-se para 63.

Contabilizando os salários dos novos 9 vereadores e mais os de 3 assessores, não parece um aumento grosseiro nos gastos públicos. Com um cálculo simplório, quiçá, representaria um gasto mensal de 150 mil reais a mais.

Em suma, é correto afirmar que houve aumento de despesas quando do aumento do número de vereadores em Itajaí, em 2011. A questão é: será que é muito? Esse gasto compensa?

Em 2013, um estudo encomendado pela Câmara de Vereadores de Itajaí, através de uma comissão formada por representantes dos partidos políticos da atual legislatura buscou responder justamente isto. O resultado é que houve aumento da representatividade no poder legislativo com as 21 cadeiras e que este seria o número correto para Itajaí.

O aumento do número de cadeiras faz com que candidatos menos votados e de campanhas menos vultuosas possam ingressar na política, exercer voz, voto e fazer a diferença. É louvável e é possível perceber que candidatos com menor votação, mesmo quando assumindo na suplência, desempenham o papel até melhor do que os antigos e carimbados da política peixeira.

O poder legislativo é, sem dúvida, um grande balcão de negócios. Sem o sentido pejorativo, mas é na casa de leis onde acontecem as grandes discussões, o controle externo dos atos do poder executivo e a edição de normas. Não é possível que o aumento de vereadores signifique retrocesso neste quesito. Quanto mais bocas, mais vozes.

Poderia ser questionado sobre a dificuldade de se governar a cidade com mais parlamentares. Tendo que passar os projetos pelo crivo do legislativo, logicamente é necessário muito mais diálogo com 21 do que com 12. O que se pode perguntar nesta hora oportuna é: como vem acontecendo estes diálogos? Quantas derrotas o governo vem sofrendo no parlamento?

Aparentemente há pouca retaliação quanto à votação de projetos oriundos do executivo. Então, pra que a redução do número de vereadores? O diálogo aparentemente deve existir e tem surtido resultado.

Mas e os gastos públicos? Sob este aspecto não haveria outras soluções providenciais? Quiçá a redução dos vencimentos do parlamentares ou até a redução do número de assessores pudessem colaborar com isso. Ocorre que nem uma coisa nem outra estão em debate mas única e exclusivamente a redução do número de vereadores de Itajaí.

Merece a matéria, pois, mais reflexão, já que nitidamente se demonstra mais na contramão do que a favor dos interesses do povo. Em outras palavras, brincando com os números, podemos dizer que a inversão dos números altera sim o produto, isto é, passando de 21 para 12, estaremos frente à perda de representatividade e sem uma diminuição impactante, ou que valha a pena, nos gastos públicos.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Práticas de empreendedorismo na gestão pública: um desafio para os gestores

Pela manhã, realizando as leituras matinais, um artigo sobre maneiras de conquistar o cliente, da temática de empreendedorismo, chamou minha atenção.

Afinal, por que o setor público não se espelha em práticas como estas? Sabemos que os serviços são deficitários e lentos, mas algumas práticas poderiam ser adotadas desde já.

Temos o estigma que tudo o que vem do poder público é ruim, problemático. E é na grande maioria. Mas o que o gestor público poderia fazer para colaborar para sanar ou amenizar o problema?

Abaixo relaciono, brevemente, os tópicos abordados na matéria e teço pequenos comentários sobre sua aplicação no setor público.

1. Não faça o cliente esperar. De jeito nenhum.

No setor público alguns serviços são obrigatórios, desde solicitar um documento de identidade a tirar uma certidão qualquer. Não há como escapar. Seria interessante o atendimento em horários alternativos, mais atendentes para horários de picos. Esperar é sempre um incômodo, ainda mais na atualidade em que não se tem momento para rush, vive-se em rush.

2. Diga seu nome. O anonimato facilita o encobrimento de práticas incorretas e, além disso, ao falar o nome, o processo de venda fica mais informal, algo apreciado pelo consumidor.

O uso do crachá por servidores públicos, especialmente os que lidam com atendimentos ao público, é necessário e a identificação faz com que eventuais situações adversas sejam lidadas de maneira mais sutil.

3. Prometa. E cumpra. Prazos devem ser cumpridos e até antecipados.

Difícil ver antecipação de prazos, quando são cumpridos já é uma grande vitória. Hoje, fica-se à mercê do tempo. Para as pessoas o prazo é primordial, sob pena de prescrição, enquanto para as ‘autoridades’...

4. Elimine os obstáculos para a compra. Aceitar várias modalidades de pagamento, etc.
Você vai ao guichê (e espera para ser atendido), solicita um serviço, retira a guia, paga no banco (depois de enfrentar fila), reapresenta a guia com dados (após aguardar novamente) e retorno ao setor para retirar o que foi solicitado.

Por que não aceitar já o pagamento no próprio atendimento? Hoje possuem muitas facilidades para isto. Que tal um balcão informativo para que o cidadão não fique esperando apenas para obter uma informação do que ele irá precisar na hora do atendimento?

5. Venda algo que possa ser usado na hora. Descomplique a vida do cliente.

Descomplicar a vida do cidadão é o que talvez menos o poder público faça. Geralmente é necessário retornar várias vezes ao mesmo setor para se resolver uma questão. Um sistema integrado de dados entre órgãos públicos facilitaria bastante as transações. Por vezes é necessário fazer um ato em um determinado setor e depois levar a outro, o que poderia ser feito de forma direta, assim como a própria realização do serviço com a confirmação de um boleto, sem a necessidade de reapresentação da guia com pagamento.

6. Capriche no pós-venda. O atendimento no pós-venda é tão importante quanto o processo da compra. Ao resolver um problema, você motiva o cliente a voltar a comprar.

Bom, nesse ponto acredito que não haja sequer um exemplo na administração pública para ser citado. Porque o poder público presta um serviço que ele não quer ter que cumprir novamente tal como um atendimento de saúde, por exemplo.

Que tal fazer um programa de satisfação do cidadão, uma ouvidoria obrigatória? O gestor público deve identificar os problemas para procurar alternativas de melhor atender o povo.

O problema talvez é que nossos gestores não tenham capacidade para isso. Os cargos públicos em comissão, via de regra, são indicados políticos sem qualquer escrutínio de qualidade, quando não são os próprios eleitos.

Quem perde? Todos!

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Leia na íntegra “6 maneiras de fazer a concorrência te odiar – e os clientes te amaremem” clicando AQUI.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A manobra de Cunha e o descaso do poder público

Um dilema tem tomado conta dos políticos brasileiros nos últimos dias: ser ou não ser a favor da redução da maioridade penal? Tanto é verdade que, em votações perecidas, na primeira, a Câmara dos Deputados rejeitou a proposta e, na segunda, acabou por aprovar o texto.

Eduardo Cunha (PMDB) manobrou e conseguiu ter a segunda votação favorável ao projeto. Acredito que a manobra, ainda que tenha faltado coerência ou respeito, deve ter possibilidade legal. Não penso que deva ter tomado uma atitude sem parecer jurídico da procuradoria legislativa. De toda forma, a controvérsia vai ser resolvida pelo Supremo Tribunal Federal, caso ingressem com algum remédio jurídico.

Por outro lado, o que fazem nossas Excelências? Mudam de opinião em menos de 24h? Por que não obstruíram a pauta de votação?

Ainda que haja algum vício no ato de Cunha, já apelidado de pedalada regimental, este teve uma aprovação democrática no parlamento, o que é inegável.

Há quem interrogue se houve compra de votos. Penso ser muito improvável. Difícil seria, para os parlamentares, explicar para os 90% de brasileiros que defendem a redução da maioridade (pesquisa CNT/MDA) sobre não terem aprovado o projeto.

Tal decisão, ainda que referendada por diversas pesquisas de opinião, é difícil de se dar quando temos um Brasil subdesenvolvido, como o 12º mais violento do planeta, e, por outro prisma, sabe-se que a redução da maioridade penal não reflete na redução do índice criminal como resultado final.
Como o próprio Cunha afirmou, a proposta visa diminuir a “sensação de impunidade”.  Tal argumento se demonstra frágil, o que fará com que as instituições ressocializadoras sirvam, na verdade, como já vêm servindo, como depósito humano.

Aí a discussão se acentua e não há como não partirmos para o viés político da coisa. Se houvesse melhor educação e instituições que verdadeiramente promovessem a integração dos delinquentes em sociedade, a coisa seria diferente.

Aqui em Itajaí/SC, como exemplo, o CASEP (Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório) se encontra fechado para reformas. Os internos foram transferidos para outros Centros (provavelmente com condições precárias semelhantes). Já o Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí se encontra em bom estado, ainda que a parte do presídio, temporária, esteja já enfrentando problemas com superlotação.

A Ordem dos Advogados do Brasil, através de Comissão, esteve ontem no Presídio Regional de Blumenau e constatou uma estrutura deficiente, com infiltrações, pouca salubridade, etc.

Em suma, o poder público falha e muito. Reflexo disto é a atual aprovação do governo em 9%, índice mais baixo desde a promulgação da Constituição de 1988

De outro norte, quiçá, temos a raiz de todos os problemas: a educação. A Pátria Educadora parece não zelar, ou zelar pouco, pelas crianças e jovens. Além dos cortes orçamentários na área, atualmente a evasão escolar é alta e a qualidade do ensino é baixa. Relatório feito pelo Movimento Todos pela Educação informa que 680 mil crianças de 4 e 5 anos estão fora da escola e 1,6 milhão de jovens de 15 a 17 anos abandonaram o ensino escolar. Quando da conclusão do ensino médio, muitos falham na matemática e no português que são matérias básicas.

É preciso que tratemos os problemas na base, na infância, na família. É muito mais fácil frear a delinquência pela educação, pelo amor, do que pelo aprisionamento, pela dor.

Final das contas: se o sistema fosse bom o bastante, poderíamos ter alguma evolução social nesse sentido. Cada vez nos separamos mais enquanto teríamos de nos unir. Dividimo-nos com presídios, muros e grades. Quiçá possamos um dia ouvir, assim como nos últimos anos na Suécia, notícias de que presídios estão sendo fechados pela falta de apenados. A redução da maioridade só contribuirá com essa divisão. É a medida mais drástica para tentar solucionar o problema e, sendo a voz do povo, acredito que deva ser acatada. Mas que possamos ter em mente que, se o poder público continuar com esse descaso, o bem mais precioso das pessoas, que é a própria vida e a dignidade, continuarão perdendo as batalhas contra o mundo do crime.

domingo, 15 de março de 2015

Manifestações de 15 de março de 2015 - Eu estarei nas ruas e você?

Bom dia!

Hoje, dia 15 de março de 2015, é uma data histórica para a democracia brasileira, assim como foi junho de 2013.

Novamente, as ruas de diversas cidades brasileira são tomadas pelo povo que manifesta sua indignação com o atual governo, com a corrupção. Trata-se, ao meu ver, de um ato cívico.

Em junho de 2013, enquanto ainda era acadêmico de Direito e líder estudantil, encorajamos os demais acadêmicos a mostrarem também seu descontentamento. À época, uma das reivindicações, além da corrupção e impunidade, estava em pauta a contrariedade à PEC 37 que tiraria os poderes constitucionais de investigação do Ministério Público.

Pois bem, aqui estamos em 2015, com o início de um mandato em que podemos vislumbrar exatamente o contrário do que fora prometido na campanha eleitoral pela atual presidente da república. Inflação em alta, desemprego aumentando, cortes na verba da educação e saúde, problemas de infraestrutura.

Falando em infraestrutura, não posso deixar de mencionar o protesto dos caminhoneiros que pararam e desabasteceram alguns setores Brasil afora no último mês. Os motoristas reivindicaram melhores estradas e correção no preço dos fretes, bem como menos corrupção e menor valor do combustível.

Nesse contexto que aflige todos os brasileiros é que convoco a todos a participarem do ato cívico de hoje, manifestando por um Brasil melhor. Talvez o impeachment da presidente seja uma medida sem tanto fundamento por agora, ainda que se vislumbra uma possibilidade jurídica, mas não podemos esmorecer e deixar que as coisas e os políticos fiquem como estão.

Eu estarei nas ruas e você?

#VemPraRua